quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

Ajudantes de Papai Noel - Cap I

Capitulo 01

..........Ainda estava com a roupa do trabalho quando chegaram com o carro. Levamos as cestas de natal, presentes e cestas básicas ao porta-malas enquanto as meninas definiam o percurso. Os pedidos vinham de vários pontos da cidade, ás vezes em bairros afastados da região central onde a pobreza é mais evidente. Era necessário um bom trajeto para chegarmos às casas antes do anoitecer.

..........Das mais de 80 cartas que encaminhamos para a paróquia, separamos sete e decidimos entregar em nome da Pastoral da Juventude. Estas não pediam carrinhos, bolas ou bonecas, eram mães pedindo comida e crianças que pediam bolachas, coca cola ou palmito para ceiar o natal. Saímos então em uma moto e um carro com o sol ainda alto.

..........A primeira, por ironia, era dentro da nossa paróquia numa ruazinha próxima ao córrego. Na carta enviada aos Correios, dona Raimunda pedia uma cesta de natal para passar com a família e agradecia em letras tremidas a bondade de quem adotara seu pedido. Quando encontramos a casa - de carro na garagem e acabamento bem feito - fomos informados que dona Raimunda tinha ido ao culto. Deixamos uma cesta natalina e dois panetones com sua filha, que agradeceu bastante.

..........A segunda nos levou ao Jardim Alvorada, num terreno de fundo onde três casas pequenas disputavam um quintal menor ainda. Batemos palmas e uma senhora nos atendeu, avisando que Isabella tinha viajado com o pai e só voltaria depois do natal. Deixamos a cesta com a tia que parecia precisar tanto quanto a dona da carta e certamente aproveitaria muito bem dela.

.......... Por sorte, a próxima casa era na mesma rua, algumas quadras adiante. Nesta, também de fundo de terreno, sentimo-nos na obrigação de deixar mais que uma cesta. Batemos palma chamando por Nicolas, que na carta dizia ter 11 anos de idade e sonhava com bolachas para a ceia. A mãe apareceu de lenço amarrado na cintura e mãos molhadas do trabalho em casa, ao ver o motivo da nossa visita sorriu discretamente e convidou para entrar, tomar um café, só não repara a bagunça...

.......... A casinha de madeira se escondia atrás de um pé de manga, mas este também servia como escora para as paredes castigadas pela chuva. Na entrada, meia dúzia de brinquedos quebrados e a roupa amontoada perto do tanque. A mais humilde, revelou também ser a mais receptiva e alegre das mães a receber presente. Nicolas não estava, mas com certeza ficará muito feliz ao ver a cesta natalina repleta de bolachas, a cesta básica e a roupa nova que ganhou neste natal.

Continua...