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..........Cada semana que passa fica mais difícil lembrar dos detalhes, mas eu vou tentando.
..........Lembro de ler o endereço da quinta carta e ouvir um “Putz!”. Pra quem tava acostumado a entregar em bairros próximos, cortar a cidade à procura de um lugar que nem sabíamos que existia, era um desafio e tanto. E isso é que é divertido.
..........Partimos de novo. Eu, que só conheço o trajeto casa/trampo/faculdade – e ainda restrito ao percurso do busão - deixei que os outros se enrolassem com o caminho. Sei que pegamos uma ruazinha torta que deu numa avenida larga com árvores pequenas no canteiro central, depois passamos perto de uma associação numa rua com bares em todas as esquinas, e nessa fomos longe.
..........A lua já clareava um pedaço do céu quando chegamos à avenida Das Palmeiras (só lembro do nome porque ela tem, de fato, palmeiras). Olhando no mapa, descobrimos uma viela escura que levava ao bairro que precisávamos encontrar: Copacabana. Passamos longas e silenciosas quadras até chegar numa segunda avenida larga, com bares sorteados pelas esquinas.
..........De moto na frente num frio de gelar a alma, eu e o Gustavo descobrimos que o fim desta avenida dava nas obras do contorno norte. Retornamos e paramos próximo à uma padaria/bar/locadora/mercearia bem iluminada, onde pudemos conferir o mapa, de novo. Àquela hora já começava a bater o cansaço, as meninas nem saiam mais do carro e enganávamos a fome com um pacote de fandangos.
..........Enquanto discutíamos sobre um possível caminho mais perto indo pela Kakogawa, Helleandru sumiu, mas só depois de aproximadamente cinco minutos demos conta disso. Procuramos na padaria, no banheiro, demos uma olhada no matagal dos terrenos e quando íamos para o bar perguntar sobre um possível assassinato, ele apareceu do outro lado da avenida dizendo que foi de bar em bar pedindo informações sobre o bendito bairro. Bêbado não é um cara muito confiável para indicar caminho, mas na falta de alguém sóbrio...
..........Seguimos o contorno norte, como indicou o amigo do Helleandru, até chegarmos num bairro habitado – sim porquê de resto era mato. Circulamos por ruas que nem lembro o nome até o fim, literalmente. Um matagal dividia aquele lugar do resto da civilização e a única passagem era o viaduto do contorno norte, que tava só na estrutura férrea. Mais uma vez, corremos para o mapa e sentimos a falta do bêbado, o tempo tava passando e tínhamos ainda três cartas para entregar antes que ficasse muito tarde.
..........Numa hora dessas acontece coisas que não sabemos explicar. Lembro de ficarmos uns quinze minutos tentando fazer contato com uma senhora que saiu na porta pra ver a movimentação de carro e moto. Enquanto o Helleandru gritava “Boa Noite!!! A senhora conhece essa rua?!” a senhora respondia “Ahn?! O quê? Cala a boca cachorro!!”. Ainda com o capacete na mão, caminhei até a rua do lado pra ver se tinha alguém do lado de fora que aceitasse conversar comigo pra indicar a tal rua. E advinha, era a bendita.
..........Essas ruelas de bairro novo são todas iguais, estávamos do lado o tempo todo! Desci feito um louco para encontrar a galera. – o quê, as dez da noite num bairro afastado não é uma atitude muito segura. O carro e a moto subiram e encontramos a casa, um fundo de terreno com um gramado enorme.
..........“Boa noite! Somos da Pastoral da Juventude e pegamos a cartinha do seu filho, viemos entregar o presente”. A criança também não estava, mas a mãe era um amor de pessoa. ..........Enquanto o pessoal foi conhecer a casa e negar o clássico café com bolacha, eu fiquei na calçada organizando as cartas, só faltavam duas. Mais que encontrar o endereço, o prazer de cumprir nosso objetivo recarregava as baterias. O pessoal voltou acompanhado da mãe que recebeu o presente e a cesta e embarcamos aos votos de Feliz Natal e Próspero Ano Novo.
..........Próxima parada: o precioso Jardim Diamante.
